Medicina Veterinária

Diretrizes para o Exame Físico Dermatológico

Quando atendemos um paciente com alterações dermatológicas o primeiro passo e um dos mais importantes é fazermos uma anamnese minuciosa

Quando atendemos um paciente com alterações dermatológicas o primeiro passo e um dos mais importantes é fazermos uma anamnese minuciosa:

  • se as alterações eram localizadas e depois ficaram generalizados;
  • presença de prurido – avaliando a intensidade e localização;
  • tratamentos anteriores – se possível listar quais medicamentos já foram utilizados e se houve melhora total ou parcial;
  • presença de outros contactantes (animais/ pessoas) da casa acometidos pelo mesmo problema;
  • frequência de banhos e qual o produto utilizado;
  • uso regular de medicamento para prevenção de ectoparasitas e exames complementares realizados anteriormente.
  • fazer uma lista de tudo que o pet come desde ração até petiscos, incluindo frutas e legumes.

 

A partir das informações coletadas na anamnese partimos para o exame físico.

 

No exame físico propriamente dito, buscaremos por informações na pele e pelo do animal que contribuam para fazermos um raciocínio do que pode estar acontecendo com o nosso paciente.

Em um primeiro momento procuramos as lesões na pele pelas quais levaram o tutor a procurar um médico-veterinário, além de observar:

  • alopecia ou rarefação pilosa localizada ou generalizada;
  • presença de pápulas/pústulas ou colarinhos epidérmicos localizados ou generalizados;
  • descamação, hiperpigmentação/hiperqueratose/lignificação – que nos auxiliam mostrando a cronicidade do quadro;
  • úlceras ou erosões – que podem nos levar a pensar na possibilidade de doenças imunomediadas;
  • presença de nódulo unitário ou múltiplo – que poderiam ser associamos a doenças neoplásicas.

 

Não devemos esquecer que condutos auditivos também fazem parte do exame dermatológico.

Sendo assim, quando a queixa do tutor está relacionada a eles devemos observar se os sintomas são uni ou bilaterais, se há secreção ou não. Em caso afirmativo, deve-se diferenciar o tipo de secreção que pode ser ceruminosa, purulenta ou acastanhada. A partir disso, deve-se fazer uma análise do cerume para identificar a provável causa da inflamação da orelha, direcionando nossa conduta para a necessidade da realização de exames complementares dermatológicos.

 

Entre os exames dermatológicos complementares temos:

exame citológico de cerúmen: no caso da queixa principal esteja relacionado com os condutos auditivos, onde poderemos evidenciar a presença de Malassezia sp, cocos e bacilos. A partir deste exame decidiremos qual o melhor medicamento;

exame parasitológico de cerúmen: usado para a pesquisa dos ácaros de conduto auditivo como o Otodectes cynotis e menos frenquentemente encontrado o Demodex sp;

exame parasitológico de pele: feito através de raspado cutâneo ou uso de fita de acetato para a pesquisa dos ácaros Demodex sp, Sarcoptes scabiei e Notoedres cati;

citologia de pele: para saber qual microorganismo predomina na lesão (bactéria ou levedura);

cultura fúngica: para suspeita da presença de fungo em uma lesão alopécica e crostosa, para pesquisa de fungos como o Microsporum canis, Microsporum gypseum e Tricophyton mentagrophytes;

cultura/antibiograma de pele e/ou secreção otológica: recomendada em casos crônicos e refratários a tratamentos anteriores e citologia aspirativa de nódulo cutâneo, quando observados nódulos na pele.

 

A partir dos resultados dos exames de triagem listados acima daremos continuidade ao raciocínio dermatológico, com a finalidade de propor o melhor tratamento para o paciente.

 

Entre as possíveis causas de problemas de pele e pelagem também temos as causas nutricionais que apresentam sintomas muito similares aos de problemas de pele.

Observar a qualidade da alimentação que o animal está recebendo é muito importante.

Caso seja uma dieta desbalanceada ou de baixa qualidade, deve-se corrigir.

Um alimento com fontes de proteína de alta digestibilidade, quantidades corretas de ácidos graxos essenciais, EPA e DHA, além de vitaminas do complexo B e zinco, auxiliam na manutenção e integridade da pele e pelos.

 

 

 

Texto escrito por: Dra Juliana Didiano CRMV-SP 16998

– Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo – USP – 2003

– Pós Graduação em Clínica e Cirurgia de Pequenos Animais – FMU – 2011

– Pós Graduação em Clínica Médica de Pequenos Animais – USP – 2012

– Pós Graduação em Dermatologia Veterinária – Equalis – 2018

– Atendimento clínico na SPET (junto à Cobasi) desde 2004

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