Nutrição

O papel da alimentação saudável para a manutenção das defesas naturais de cães e gatos

Esse conceito é válido tanto para nós, humanos, como também para os animais. E sabemos que muitos tutores estão cada vez mais preocupados com a alimentação e imunidade dos pets. Pensando nisso, convidamos a Dra. Luciana Domingues de Oliveira, Médica-Veterinária Especializada em Nutrição de cães e gatos, para nos explicar um pouco sobre o papel de uma dieta saudável e seus nutrientes na manutenção das defesas naturais de cães e gatos.

“É crescente o número de informações científicas a respeito da importância da nutrição sobre a competência imunológica dos animais. Existe uma relação dinâmica entre nutrição e imunidade, de forma que uma afeta a outra diretamente. A resposta imune é dependente de replicação celular e da síntese de compostos proteicos ativos. Desta forma, é fortemente afetada pelo status nutricional do animal, que determina a habilidade metabólica celular e a eficiência com que a célula reage aos estímulos, iniciando e perpetuando o sistema de proteção e autorreparação orgânicas.

Energia, aminoácidos, vitaminas e minerais são nutrientes para os quais já se estabeleceu a estreita relação existente entre seu status orgânico e o funcionamento do sistema imune. Diminuição de anticorpos humorais e da superfície de mucosas, da imunidade celular, da atividade fagocitária, da produção de complemento, do número total de linfócitos, do equilíbrio dos subtipos de linfócitos T e dos mecanismos inespecíficos de defesa – que incluem as barreiras anatômicas da pele e mucosas, a microbiota intestinal, as substâncias secretoras como linfocina, suco gástrico e muco, a febre, as alterações endócrinas e o sequestro de ferro sérico e tecidual – são consequências de deficiências nutricionais. Os sistemas antimicrobianos dos neutrófilos são afetados pela desnutrição. Via de regra, o sistema imune é o primeiro a sofrer alterações na desnutrição, respondendo antes mesmo do sistema reprodutivo.

 

  • Energia e Proteína

Quando há o consumo insuficiente de energia pelo animal, causada pela redução de consumo de alimentos ou consumo de uma dieta pobre em calorias, ocorre a desnutrição calórico-proteica. Seus efeitos tendem a ser específicos para cada tecido e podem se tornar generalizados quanto maior for a demora em sua correção. Longos períodos de privação alimentar culminam em grande mobilização de aminoácidos, que são utilizados na síntese de DNA e RNA, na produção de proteínas de fase aguda e de energia, agravando ainda mais o estado de desnutrição. Com isto, cria-se um círculo vicioso no qual a desnutrição pode tanto ter sido a causa como o resultado da doença. Mesmo nas situações onde a desnutrição não está envolvida, a instituição de um plano nutricional adequado é fundamental, caso contrário a desnutrição poderá vir a ser uma consequência da doença, agravando o caso e piorando as chances de recuperação. O consumo inadequado de nutrientes pode complicar muitas desordens fisiológicas, sendo assim mais difícil de se tratar a doença primária. Verifica-se na desnutrição calórico-proteica um decréscimo progressivo da resposta imune incluindo a resposta mediada por células, produção de IgA secretória, poder de fagocitose, funcionamento do sistema complemento, afinidade de anticorpos e produção de citocinas.  O efeito terapêutico de drogas também é afetado pelo estado nutricional do animal. A absorção, transporte, metabolismo e excreção de fármacos podem estar alterados, interferindo na farmacocinética e eficácia dos medicamentos.

 

  • Aminoácidos

O consumo de aminoácidos, que constituem as proteínas, são ponto central na manutenção da imunidade dos animais. Em situações em que o animal não consome a quantidade mínima necessária dos aminoácidos, ocorre o chamado “balanço nitrogenado negativo”, com consequente redirecionamento do uso dos aminoácidos, que passam a ser uma importante fonte de energia para a gliconeogênese. Este processo resulta em perda de massa corporal magra e, com ela, em redução de resposta imune. Os efeitos da deficiência proteica sobre o sistema imune incluem: atrofia do timo e órgãos linfoides, menor proliferação linfocitária, menor produção de citocinas inflamatórias, inadequada produção de anticorpos, menor concentração plasmática de imunoglobulinas, menor secreção de IgA, redução na resposta de hipersensibilidade cutânea tardia e menor produção de complemento, causando um grande comprometimento imune.

 

  • Vitaminas
  1. Vitamina A: A deficiência de vitamina A está associada ao aumento da susceptibilidade a infecções. Animais afetados podem apresentar metaplasia escamosa de mucosas, redução do tamanho do timo e do baço, redução da atividade de células natural killer, redução da produção de interferon e da resposta de hipersensibilidade cutânea tardia, menor atividade de macrófagos e redução da proliferação linfocitária.
  2. Vitamina E: A deficiência de vitamina E leva a uma diminuição do poder bactericida de leucócitos e linfócitos, menor produção de imunoglobulinas, redução da resposta imune mediada por células, menor produção e funcionamento de linfocinas e citocinas. Estudos têm demonstrado que a suplementação com doses suprafisiológicas de vitamina E aumentam o poder de fagocitose e a resposta imune humoral e celular dos animais.
  3. Vitaminas do complexo B e colina: As deficiências de piridoxina (B6) e ácido pantotênico levam à redução da resposta antigênica. A deficiência conjunta destas duas vitaminas leva a uma inibição quase completa da imunidade. Ácido fólico e cianocobalamina (B12) são essenciais à replicação celular. A deficiência destes nutrientes leva à redução na formação de anticorpos e na replicação de linfócitos. A deficiência de colina está associada à atrofia do timo.

 

  • Minerais
  1. Zinco: A deficiência de zinco resulta em extensivo dano aos linfócitos T, com atrofia do timo, alteração da síntese de linfócitos, resultando em marcada imunossupressão. Leva também a alterações epidérmicas associadas à maior penetração de agentes.
  2. Cobre: Sua deficiência ocasiona redução do número de linfócitos circulantes, redução na produção de anticorpos, do poder fagocitário, atrofia do timo e menor produção de citocinas.
  3. Ferro: a deficiência deste microelemento leva à redução no poder bactericida de fagócitos, menor proliferação linfocitária, redução da população de células natural killer, menor produção de interferon e da reação de hipersensibilidade cutânea tardia. O ferro é necessário tanto aos animais quanto aos microorganismos, de modo que o organismo secreta três proteínas, a transferrina, conalbumina e lactorerrina, que possuem elevada capacidade de se ligar ao ferro tornando este indisponível para as bactérias.
  4. Magnésio: sua deficiência promove alteração no funcionamento de linfócitos T e B, menor produção de imunoglobulinas, redução da capacidade bactericida de fagócitos e menor produção de citocinas. Atribuem-se estes efeitos ao fato deste microelemento ser um cofator na síntese de DNA.
  5. Selênio: como o selênio é integrante da enzima glutationa peroxidase, este é importante na estabilização dos peroxissomos dos fagócitos, tendo correlação com seu poder de inativar agentes infecciosos. Afeta a capacidade proliferativa de linfócitos, bem como todos os componentes do sistema imunológico.

 

CONCLUSÃO

O uso de alimentos completos e balanceados para cada espécie, considerando seu estágio de vida, status sexual, porte e eventuais necessidades específicas, exerce efeito direto sobre a manutenção da saúde dos animais por fornecer, em quantidades adequadas, todos os nutrientes essenciais ao bom funcionamento do sistema imunológico.”

 

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Bibliografia

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Autora

Dra. Luciana Domingues de Oliveira

Médica Veterinária formada pela UNESP de Jaboticabal, realizou Mestrado e Doutorado em Clínica Veterinária de pequenos animais na mesma Universidade na área de Nutrição de Cães e Gatos, com estágio de doutoramento na Universidade LMU da Alemanha. Já trabalhou no departamento técnico de duas das maiores empresas multinacionais de pet food. Também foi docente da UNISA, do curso de Graduação em Medicina Veterinária e do Mestrado Acadêmico em Medicina e Bem Estar Animal. Há quase 10 anos é membro do Comitê Técnico do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBNA PET). É colunista fixa na seção de Pet Food da Revista Cães & Gatos desde abril de 2019. Atualmente presta consultoria na área de pesquisa e desenvolvimento de pet food e realiza atendimento especializado em Nutrologia Clínica de Cães e Gatos, com mais de 17 anos de experiência e diversos artigos e trabalhos publicados na área.

Email: luciana.nutrivet@yahoo.com

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