Nutrição

Síndrome da realimentação: da clínica médica à nutrição – como evitar?

A síndrome de realimentação é uma síndrome hidroeletrolítica grave associada a distúrbios metabólicos e pode ocorrer em pacientes desnutridos que apresentam perda de peso de mais 10%  e que nos últimos 7 dias foram submetidos a realimentação oral, enteral ou parenteral. Além disso, pacientes pós jejum prolongado ou perda maciça de peso em pacientes obesos também são predispostos a essa síndrome. Tal condição, que ainda tem não tem seus mecanismos de ação totalmente esclarecidos, pode aumentar as chances de mortalidade. É caracterizada por alterações metabólicas decorrentes da desnutrição e por distúrbios eletrolíticos como hipofosfatemia, hipomagnesemia, hipocalcemia e hipocalemia, além de alterações no mecanismo da glicose e no balanço hídrico. Mas afinal, como ocorre essa síndrome e quais são os sinais apresentados por um animal nessa condição?

Como citado antes, a fisiopatogênia da Síndrome de Realimentação ainda não é totalmente esclarecida. Para entendê-la melhor é necessário recapitular o que ocorre durante a fome: as concentrações de insulina vão diminuir e as do glucagon aumentar, ocasionando uma rápida conversão de glicogênio, para armazenamento e formação da glicose, resultando em proteólise e lipólise. Sendo assim, o tecido adiposo libera grandes quantidades de ácidos graxos e glicerol e a musculatura, aminoácidos. Há também a formação de corpos cetônicos que junto com os ácidos graxos livres atuam como fonte de energia nessas circunstâncias, havendo assim perda de gordura corporal e massa magra. Ao entrar em estado de desnutrição, o organismo entra em hipoglicemia e visando manter suas principais atividades orgânicas, inicia-se o processo de gliconeogênese para obtenção de energia, através da mobilização de fontes de gorduras como os triglicerídeos e de proteínas das reservas corporais.  Durante a realimentação, vai ocorrer uma mudança no metabolismo, pois volta a ter carboidratos como fonte de energia no lugar da gordura. A partir daí o que acontece é uma carga de glicose que provoca a liberação da insulina, causando aumento da captação celular de glicose, e junto dela de fosfato, potássio, magnésio, aminoácidos e água. A intervenção nutricional será mais urgente em animais muito jovens ou muito idosos, imunossuprimidos, aqueles com doenças onde há perda de nutrientes e obesos. Animais desidratados ou com alterações eletrolíticas e ácido-base devem ter essas condições revertidas antes do início da intervenção nutricional, para evitar alterações metabólicas graves.

Após a correção das condições desfavoráveis à intervenção nutricional, deve-se iniciar a alimentação, reduzindo a quantidade de alimento oferecido em 50 a 75%.  A quantidade de carboidratos da dieta também deve ser reduzida, proporcionando uma dieta onde a maior parte das calorias seja provenientes de gorduras e proteínas, diminuindo a liberação de insulina no pós-prandial. Não se tem conhecimento da quantidade ideal de carboidratos e demais fontes energéticas para pacientes com síndrome de realimentação. A dieta escolhida deve levar em conta a via de administração e a doença primária que levou ao estado de  subnutrição. Feito isso deve-se seguir o plano alimentar, aumentando gradativamente a quantidade até que seja reestabelecida por completo.

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