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O papel de uma alimentação saudável para a manutenção das defesas naturais de cães e gatos

Alimentação - Bem-estar < 25 de maio de 2020

Cada vez mais se destaca os benefícios de uma alimentação saudável para a manutenção das defesas naturais dos pets. Ainda mais em tempos de pandemia, toda nossa atenção está voltada para esse tema. Mas será que as informações e recomendações que damos aos seres humanos devem ser as mesmas para os animais de estimação?

Há bastante tempo os estudos científicos vem constatando a importância da correta nutrição para o desenvolvimento da imunidade de cães e gatos, mas esses estudos estão ganhando ainda mais relevância nos últimos anos, quando se começou a falar em medicina veterinária integrativa e na busca por alimentos realmente saudáveis e nutritivos, evitando o uso de aditivos químicos e privilegiando o uso de ingredientes integrais, vegetais, gorduras de primeira qualidade, fontes nobres de proteínas e nutracêuticos.

Quando falamos de alimentos completos e balanceados para os pets, estamos falando que aquele determinado alimento contém todos os nutrientes (aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais) em quantidades suficientes para que o animal possa ter uma vida longa e saudável, não correndo o risco de ter nenhuma doença de origem nutricional.

Falando assim parece simples, mas você tem ideia de que são necessários no mínimo 36 nutrientes essenciais para os cães e 38 para os gatos para podermos compor um alimento completo e balanceado? São eles:

10 aminoácidos para os cães e 11 para os gatos (são os principais componentes das proteínas) – encontrados em carnes de animais e vísceras, além de vegetais como as leguminosas (ex. lentilha, ervilha, soja e feijão)

3 Ácidos graxos para cães e 4 para gatos (são os principais componentes das gorduras) – encontrados nas gorduras de animais, algas e óleos vegetais (soja, milho, canola, azeite, linhaça, girassol, etc).

11 Vitaminas (vitaminas A, D, E, vitaminas do Complexo B e colina) – encontrados em frutas, legumes, folhas, carnes, vísceras, ovos, leguminosas, etc.

– 12 minerais (cálcio, fósforo, magnésio, sódio, cloro, potássio, iodo, manganês, cobre, zinco, selênio e ferro) – encontrados em vegetais, carnes, vísceras, ossos, etc.

Por isso que é fundamental que os alimentos destinados aos pets sejam corretamente formulados por profissionais habilitados em nutrição animal, para que possam, de fato, suprir todas as necessidades nutricionais deles.

Quando falamos em alimentos de alta qualidade (super premium), principalmente as que não usam ingredientes transgênicos e nem conservantes sintéticos e privilegiam o uso de ingredientes integrais e proteínas de origem animal de alta qualidade, os fabricantes tem muito cuidado no desenvolvimento de suas fórmulas, já que o animal receberá somente a ração como alimento durante toda sua vida e possíveis desbalanços de nutrientes podem ser bem críticos e comprometer a saúde deles.

A resposta imune é fortemente afetada pelo status nutricional do animal, ou seja, somente um indivíduo adequadamente nutrido ativa de forma eficiente os sistemas de proteção e autorreparação orgânicos.


Dentre os nutrientes importantes para as defesas naturais podemos destacar:

  • Energia: Quando há o consumo insuficiente de energia pelo animal, causada pela falta de apetite ou falta de alimentos, ocorre a desnutrição. A falta de alimento leva o organismo a usar suas reservas para se manter vivo, prejudicando assim o sistema imune. Com isto, cria-se um círculo vicioso no qual a desnutrição pode tanto ter sido a causa como o resultado da doença. Mesmo nas situações onde a desnutrição não está envolvida, a instituição de um plano nutricional adequado é fundamental, caso contrário a desnutrição poderá vir a ser uma consequência da doença, agravando o caso e piorando as chances de recuperação. Além disso, verifica-se que em animais desnutridos há a redução do efeito de medicamentos.
  • Proteínas e aminoácidos: O consumo de aminoácidos, que constituem as proteínas, são ponto central na manutenção das defesas naturais dos animais. Em situações em que o animal não consome a quantidade mínima necessária de proteínas, ocorre o redirecionamento do uso dos aminoácidos, que passam a ser uma importante fonte de energia para o organismo. Este processo resulta em perda de massa corporal magra e, com ela, grande comprometimento imune.
  • Ômega 3: os ácidos graxos ômega 3 (EPA e DHA) apresentam efeito anti-inflamatório e imunomodulador, principalmente quando se fornece fontes de origem marinha, como o óleo de peixe e farinha de algas, à dieta do animal.

Vitaminas

  • Vitamina A: A deficiência de vitamina A está associada ao aumento da susceptibilidade a infecções.
  • Vitamina E: Ajuda a neutralizar os radicais livres causadores de danos celulares. A deficiência de vitamina E leva a uma diminuição do poder bactericida de anticorpos e redução da resposta imune.
  • Vitaminas do complexo B: A deficiência conjunta das vitaminas do complexo B leva a uma inibição quase completa da imunidade.
  • Vitamina C: Ajuda a neutralizar os radicais livres. Também ajuda a regenerar a vitamina E, restabelecendo sua atividade antioxidante.

Minerais

  • Zinco: sua deficiência resulta em marcada imunossupressão. Leva também a alterações na pele que facilitam a penetração de agentes patogênicos.
  • Cobre: Sua deficiência ocasiona redução da função imune.
  • Ferro: sua deficiência leva à redução da capacidade do organismo de matar bactérias.
  • Selênio: como o selênio tem o poder de inativar agentes infecciosos, sua deficiência compromete todos os componentes do sistema imunológico.

 

CONCLUSÃO

O consumo diário de alimentos completos e balanceados de alta qualidade exerce efeito direto sobre a manutenção da saúde de cães e gatos por fornecer, em quantidades adequadas, todos os nutrientes essenciais ao bom funcionamento de suas defesas naturais e, consequentemente, contribuindo para a longevidade, qualidade de vida e resistência a doenças.

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Autora

Dra. Luciana Domingues de Oliveira

Médica Veterinária formada pela UNESP de Jaboticabal, realizou Mestrado e Doutorado em Clínica Veterinária de pequenos animais na mesma Universidade na área de Nutrição de Cães e Gatos, com estágio de doutoramento na Universidade LMU da Alemanha. Já trabalhou no departamento técnico de duas das maiores empresas multinacionais de pet food. Também foi docente da UNISA, do curso de Graduação em Medicina Veterinária e do Mestrado Acadêmico em Medicina e Bem Estar Animal. Há quase 10 anos é membro do Comitê Técnico do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal Pet (CBNA PET). É colunista fixa na seção de Pet Food da Revista Cães & Gatos desde abril de 2019. Atualmente presta consultoria na área de pesquisa e desenvolvimento de pet food e realiza atendimento especializado em Nutrologia Clínica de Cães e Gatos, com mais de 17 anos de experiência e diversos artigos e trabalhos publicados na área.

Email: luciana.nutrivet@yahoo.com



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